Certamente já se deram conta de que, durante o Inverno, na ida para o trabalho ou no regresso a casa, existem zonas extremamente localizadas onde, de repente, surge um frio de “Rachar” inexplicável que parece gelar subitamente as extremidades e poucos metros mais à frente o ambiente volta ao normal ? O mesmo pode acontecer num simples passeio no parque onde por vezes atravessam áreas notóriamente mais frias do que outras.
Sim, é real e existe uma explicação científica relativamente simples para este fenómeno.

Como já é do vosso conhecimento, durante o período diúrno o Sol emite grandes quantidades de radiação Ultravioleta que podem atingir a terra directamente (Radiação Directa) e outro tipo de radiação que pode ser filtrada por elementos como nuvens, poeiras, nevoeiro etc (Radiação Difusa), acabando também esta por atingir a terra com maior ou menor dificuldade.
Durante o período nocturno, toda esta radiação absorvida e acumulada pela terra durante o dia, começa a ser libertada gradualmente para a atmosfera desta vez sob a forma de Radiação Infravermelha, iniciando um processo de resfriamento junto à superfície. É precisamente aqui que se inicia a formação de Inversão térmica.
Então e como é que ocorre ao certo a Inversão Térmica ?
Passando a explicar com mais detalhe, no Inverno, em dias de céu pouco nublado ou limpo e vento fraco, toda esta radiação solar acumulada durante o dia é libertada à noite e acaba por escoar directamente para atmosfera sem que haja qualquer interferência de elementos como o vento ou a nebulosidade, permitindo deste modo que o ar á superfície comece a resfriar muito rapidamente. No sentido inverso, o ar quente com menor densidade vai-se acumulando na camada imediatamente acima, acabando por aprisionar o ar frio junto à superfície, gerando então uma situação de Inversão térmica.
Dado que no Inverno as noites têm uma duração maior que os dias, se o ar frio à superfície continuar a arrefecer abaixo do ponto de orvalho, o excesso de humidade presente acaba por condensar. Quando a temperatura atinge os 0ºC ou até menos, o orvalho congela e forma-se a tradicional geada. Se se verificar uma persistência de temperaturas negativas durante toda a noite, poderá ocorrer formação de gelo significativo

Se porventura durante a noite surgir nebulosidade ou vento durante este processo, a inversão térmica vai desaparecendo de forma gradual devido à dispersão do ar quente à superfície. Normalmente, a inversão termina após o nascer do sol, quando o aquecimento da superfície volta a provocar circulação vertical do ar.
Então mas porque é que por vezes durante a noite, há mais frio nas zonas baixas e durante o dia nas zonas mais altas ?
As inversões térmicas ocorrem geralmente quando a atmosfera se encontra estável. Por sua vez, o fluxo de ar frio sendo mais denso e “pesado” que o ar quente, começa a ser drenado pelas encostas e acaba por se acumular nas zonas mais baixas como Vales, Valeiros ou Várzeas. Se este processo ocorrer durante toda a madrugada, a camada de ar frio pode acumular em altitude e formar aquilo que podemos designar como “Lagos de ar frio”. É precisamente nestas zonas que se podem registar extremos de temperatura mínima do ar, sendo que em Portugal Continental, as temperaturas mínimas podem chegar e mesmo superar com relativa facilidade os -10ºC, particularmente no Nordeste e Beira Alta.
Existem outros factores relevantes que acabam por definir a magnitude de uma inversão térmica, nomeadamente se estamos perante algo relativamente normal ou uma situação de frio extremo. A tipologia dos solos, proximidade com linhas de água, a presença de vegetação rasteira ou arbórea e a proximidade com edificado, são elementos cruciais que impactam o desenvolvimento de uma inversão térmica.
As inversões térmicas, contudo, não trazem apenas aquelas belíssimas imagens de campos branquinhos e nevoeiro gélido ao raiar do dia. Devido precisamente à estabilidade do ar nestas situações, grande parte dos aerossóis poluentes acabam também eles por se fixar junto à superfície, degradando significativamente a qualidade do ar, principalmente nas grandes cidades. Também as redes viárias podem ser severamente afectadas devido à constante acumulação de gelo, tornando a condução especialmente perigosa para os automobilistas.

Esperamos que tenham apreciado este artigo e estamos inteiramente à vossa disposição para qualquer dúvida ou questão adicional!.

